Pré-Câmbrico

Desde a origem da Terra até há cerca de 542 M.a. atrás

O Pré-Câmbrico é a etapa mais longa da História da Terra. Engloba os Éons Arcaico e Fanerozóico e vai até ao início do Câmbrico, o primeiro período da Era Paleozóica.

Pouco se sabe desta Era, pois as formas de vida seriam muito simples e por isso difíceis de fossilizar. Como sabes, é apenas através do registo fóssil que temos conhecimento das formas de vida que existiram no passado.

Logo após a sua formação, a Terra era um planeta ainda em estado de fusão, uma esfera de rocha fundida constantemente bombardeada por corpos vindos do espaço. A atmosfera inicial era muito hostil e não tinha oxigénio.

A pouco e pouco a superfície da Terra foi arrefecendo e formou-se a crosta sólida, com muitos vulcões em constante erupção, pois o planeta ainda estava muito quente. Os gases lançados pelos vulcões para atmosfera teriam condensado e dado origem a chuvas muito intensas durante milhares de anos consecutivos que levaram à formação dos oceanos primitivos.

Foi nos oceanos primitivos que se formaram as primeiras células, e consequentemente os primeiros seres vivos. Só que estas células eram ainda muito simples, sem núcleo, semelhantes às bactérias actuais. Só muito mais tarde apareceram as células eucaritóticas.

Entretanto, começaram a desenvolver-se um tipo particular de bactérias: bactérias fotossintéticas (chamadas cianobactérias), que levaram à acumulação de grandes quantidades de oxigénio na atmosfera. Foi trágico para a maior parte das formas de vida, que não eram capazes de respirar este novo gás e acabaram por morrer.

Esquerda – Cianobactérias fósseis, encontradas na Austrália, e que se presume que tenham cerca de 3500 M.a. Direita – Cianobactéria actual, presumivelmente semelhante às que terão existido na Terra primitiva.

Contudo, as formas de vida que sobreviveram adaptaram-se e diversificaram-se. Permaneceram ainda na água, pois esta filtrava os intensos raios UV que vinham do sol. A pouco e pouco o oxigénio produzido começou  a combinar-se entre si na atmosfera e deu origem à camada de ozono.

 Estromatólitos

Na Austrália existe uma praia que está cheia de evidências destes primeiros seres vivos – estromatólitos.

A palavra estromatólito vem do grego stroma (camada) e lythos (pedra). Na realidade, estas formações peculiares são camadas alternadas de sedimentos e cianobactérias que se formam nas zonas intertidais (isto é, o espaço que fica na praia entre marés) junto à praia.

Estromatólitos em Shark Bay, na Austrália. Estas estruturas são formadas por camadas sucessivas de cianobactérias e sedimentos, e são muito semelhantes às que existiriam no Pré-Câmbrico.

Na Bolívia encontraram-se fósseis de estromatólitos com 2200 a 2400 M.a. (pertencem ao Proterozóico). Estes registos provam que já no Pré-Câmbrico existiam estromatólitos, tendo sido muito provavelmente as cianobactérias as responsáveis pela formação do oxigénio atmosférico.

Esquerda: como se forma um estromatólito
Direita: estromatólito fóssil encontrado na Bolívia com cerca de 2400 M.a.
A – estromatólito fóssil ; B – fragmento de estromatólito actual

 

No final do Pré-Câmbrico os mares eram já povoados por seres pluricelulares muito simples. Também na Austrália, em Ediacara, foram encontrados fósseis que constituem o primeiro registo de seres vivos pluricelulares, ainda muito simples. Neste site poderás encontrar algumas fotografias destes fósseis.

 

Resumindo:

– Forma-se a crosta, a atmosfera e os oceanos primitivos

– Primeiros seres vivos unicelulares (bactérias)

– Primeiros seres vivos eucariontes

– Primeiros seres vivos pluricelulares, mas muito simples

Registo fóssil característico:

– estromatólitos

– fauna de Ediacara

Continuar para o Paleozóico

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