Laika – o primeiro ser vivo no espaço

A Laika foi o primeiro ser vivo a ser enviado para o espaço. Na realidade, o nome do animal é o termo que designa uma raça de cães russa (significa, literalmente, “que ladra”). Em 1954 os russos tentavam ir ao espaço, mas não sabiam como é que o corpo humano reagiria à ausência de gravidade. Por isso quiseram lançar um animal, para ver se seria possível a um ser vivo sobreviver à ausência de gravidade.

A Laika era uma pequena cadela de 3 anos (pesava cerca de 3kg), que vivia nas ruas de Moscovo, até ser capturada para fazer parte desta experiência. Tal como ela, o programa espacial russo capturou e treinou mais duas cadelas (Albina e Mushka) para fazer parte do projecto. Contudo, só a Laika foi efectivamente enviada. Albina foi lançada duas vezes num foguetão para provar sua resistência a grandes alturas, e Mushka foi utilizada para o teste da instrumentação e dos equipamentos de suporte de vida. Laika foi a seleccionada para participar da missão orbital, e Albina seria a sua principal substituta.

O treino.

Laika foi treinada pelo cientista Oleg Gazenko. O treino consistia em submeter os animais a condições semelhantes às que iriam encontrar no espaço. A aceleração das descolagens era simulada através da força centrífuga imposta na cápsula onde os animais se introduziam. Da mesma maneira, de cada vez que o treino era feito, os animais eram inseridos em cápsulas cada vez mais pequenas para se habituarem ao espaço que a nave final (a Sputnik II) iria ter.

A Laika, no interior da cápsula onde iria permanecer durante a missão.

Contudo, os animais não reagiam muito bem ao treino. A sua pulsação aumentava muito durante os treinos, e o facto de serem obrigados a permanecer muito tempo em espaços fechados perturbou o seu sistema excretor. Moscovo, no entanto, comunicava ao mundo que os animais estavam calmos e se encontravam perfeitamente adaptados ao espaço.

A missão.

O New York Times, anunciando o lançamento do Sputnik.

O Sputnik II foi lançado a 3 de novembro de 1957. Os sinais vitais da Laika eram seguidos telemetricamente por controlo em terra.

Ao alcançar a máxima aceleração depois da descolagem, o ritmo respiratório do animal aumentou de três a quatro vezes em relação ao normal, e a sua freqüência cardíaca passou de 103 a 240 batimentos por minuto. Ao alcançar a órbita, o Sputnik II desprendeu-se com sucesso do foguetão que o levou para órbita. Contudo, a outra secção da nave que deveria desprender-se (o “Blok A”) não o fez, impedindo que o sistema do controle térmico funcionasse correctamente. Parte do isolamento térmico desprendeu-se, permitindo que a cápsula alcançasse uma temperatura interior de 40 °C. A cadela foi mantida em órbita durante mais de 24h num espaço onde mal se podia mexer.

Devido às altas temperaturas e às alterações cardíacas repentinas a que a Laika tinha sido sujeita, quer devido ao stresse quer devido à gravidade reduzida, o animal acabou por morrer 27h depois da descolagem.

A controvérsia.

A Laika. Ao fundo vê-se a cápsula do Sputnik.

Apesar de tudo isto, a informação que Moscovo deu a conhecer à imprensa dizia que o animal se encontrava bem e calmo durante todo voo espacial, e que dentro de poucos dias a Laika desceria à Terra. Todos acreditavam que o animal levava alimento suficiente e sua condição era estável, pelo que muitas pessoas estiveram esperando o regresso de Laika. Foi com grande tristeza que o mundo percebeu que isso não tinha acontecido.

O Sputnik II não estava preparado para regressar à Terra de forma segura, pelo que já se sabia que Laika não sobreviveria à viagem.  Os cientistas tinham planeado dar a Laika comida envenenada ao fim de 10 dias para que não tivesse de passar pela destruição da nave ao reentrar na atmosfera terrestre. Infelizmente o animal morreu antes. No dia 14 de Abril de 1957 o Sputnik II explodiu ao entrar em contacto com a atmosfera terrestre, levando consigo os restos mortais da Laika.

Na altura, a imprensa estava mais preocupada com a questão política (os Estados Unidos e a União Soviética estavam numa autêntica corrida para ver quem conseguiria enviar primeiro astronautas à lua) e só mais tarde é que se debateu este assunto. Depois de Laika nunca mais se enviaram animais para o espaço sem que fosse assegurado o regresso seguro dos animais nas cápsulas e foram estabelecidas regras rigorosas sobre a forma de treinar os animais para experiências científicas espaciais.

 O legado e a homenagem merecida.

Apesar da sua história triste, a Laika foi muito importante, pois sem a sua viagem nunca se teria conseguido enviar um ser humano para o espaço. Na realidade, foi ela a primeira astronauta a iniciar a permanência prolongada no espaço que mais tarde iria permitir aos astronautas viver e trabalhar nas Estações Espaciais.

A 11 de Abril de 2008 foi inaugurada uma estátua em sua honra numa alameda perto do Instituto de Medicina Militar, onde ocorreram há mais de meio século as experiências científicas com a participação da célebre cadela. A figura de bronze, de dois metros de altura, representa um segmento de um foguete espacial que se transforma numa mão humana, sobre a qual está o corpo de Laika.

O monumento de homenagem à corajosa Laika.

 

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