Paricutín – ou – Como nasce um vulcão?

Se perguntares aos teus amigos “O que é um vulcão?”, decerto que a maioria deles diria: “é uma montanha que lança lava para a superfície”. Na realidade, um vulcão nem sempre é uma montanha. E mesmo os que o são já um dia foram apenas simples campos de lavoura, como é o caso do Paricutín, um vulcão que se localiza no México.

Este vulcão “nasceu” a 20 de Fevereiro de 1943, no campo do senhor Dionísio Pulido, que não ganhou para o susto. Nem ele, nem toda a população da aldeia que se situava ali perto (onde o sr. Dionísio morava) que viu as suas casas engolidas pela lava que o vulcão expeliu. Para saberes como tudo aconteceu, nada melhor que as palavras de quem viveu os acontecimentos em primeira mão, ou seja, o próprio Dionísio Pulido. Eis o que este senhor relatou a um jornalista que o entrevistou algumas semanas depois da primeira erupção:

 

Fotografia de Dionisio Pulido, tirada pelo jornalista que o entrevistou

“Por volta das  quatro da tarde  estava com a minha mulher a queimar alguns ramos secos quando reparei que num dos montes da minha quinta se tinha aberto uma fenda no chão… fui até lá e era uma espécie de fissura com uma profundidade de cerca de meio metro. Voltei para ajudar a minha mulher quando ouvi uma espécie de trovão, e as árvores tremeram.

Corri para junto de Paula e foi quando vi o chão elevar-se cerca de 2 a 2,5m de altura, e uma espécie de fumo ou pó muito fino, como cinzas, saía de uma outra fenda que eu ainda não tinha visto. Imediatamente, começou a libertar-se mais fumo com um barulho muito forte, como um assobio, e cheirava a enxofre.

Fiquei cheio de medo e só pensava em levar dali a minha junta de bois. Estava tão espantado que não sabia o que fazer… ou o que pensar… Não conseguia encontrar nem a minha mulher, nem os meus filhos, nem os meus animais.  Então lembrei-me do Santo Senhor dos Milagres. Rezei muito alto “Bendito Senhor dos Milagres, vós que me trouxestes a este mundo, salvai-me desta aflição”… Olhei então para a fissura de onde vinha o fumo e o medo desapareceu pela primeira vez.

Então corri para ver se conseguia salvar a minha família, os meus companheiros e os meus bois, mas não consegui encontrar ninguém. Pensei que tivessem levado os animais para a fonte de água. Fui até lá mas não havia água na fonte, e pensei que a água tinha desaparecido pela fissura.

Eu estava muito assustado. Montei no meu jumento e galopei para Paricutin, onde encontrei a minha mulher, filho e amigos à minha espera. Eles também estavam muito assustados e com receio que eu estivesse morto e nunca mais me voltassem a ver.”

Os acontecimentos relatados ocorreram a 20 de Fevereiro de 1943. O Paricutin tinha entrado em erupção pela primeira vez e em 24h formou-se um cone de 50 metros de altura.

Fotografia de 1943, mostrando o vulcão em erupção.

Em Março, a actividade intensificou-se e em Junho toda a vila de San Juan de Pangaritutiro estava coberta   por um manto de lava e cinzas.

A erupção terminou em 1952, tão depressa como tinha começado. A altura final do cone do vulcão nessa altura era de 424m. Não houve vítimas a registar provocadas pela erupção. Contudo, pensa-se que tenham morrido 3 pessoas, vítimas dos relâmpagos que se formaram na coluna de cinzas libertada pelo vulcão. Da aldeia restam apenas as torres da igreja.

A igreja da vila, na actualidade. Todo o rés-do-chão ficou debaixo de lava. Ao fundo vê-se o cone do vulcão.

Este vulcão gerou na comunidade científica (e não só), um grande interesse e curiosidade, pois foi o primeiro vulcão a ser acompanhado desde o seu nascimento e durante toda a sua actividade eruptiva.

O Paricutín, nos dias de hoje.

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