Classificação das Rochas Sedimentares

As rochas sedimentares são classificadas de acordo com a origem dos sedimentos que as constituem.

Assim sendo, são considerados três tipos de rochas sedimentares:

  • Detríticas – quando os sedimentos que constituem as rochas são exclusivamente fragmentos provenientes do desgaste de outras rochas (detritos).
  • Biogénicas (ou de origem biológica) – quando a rocha apresenta na sua constituição sedimentos provenientes de organismos, como conchas ou porções de carvão.
  • Quimiogénicas (ou de origem química) – quando os sedimentos que constituem a rocha são material dissolvido na água proveniente de processos de meteorização química. Quando estes sedimentos precipitam formam de novo uma rocha sólida.

 

1) Rochas Sedimentares Detríticas

Existe uma grande variedade de fragmentos de rocha que podem ser encontrados reunidos numa rocha detrítica. As rochas sedimentares detríticas dividem-se em tipos consoante o tamanho dos sedimentos que contêm, conforme representado na tabela seguinte.

Podes encontrar estas imagens em melhor resolução nesta galeria de rochas sedimentares detríticas.

 

2) Rochas Sedimentare Biogénicas

Estas rochas sedimentares têm na sua constituição sedimentos provenientes de outros organismos misturados com sedimentos de origem detrítica. Os sedimentos de origem biológica podem ser conchas ou partes fossilizadas dos organismos, como acontece com o carvão ou o petróleo.

Vejamos alguns exemplos deste tipo de rochas:

Calcário conquífero – é um tipo de rocha sedimentar que contém uma grande quantidade de conchas partidas misturadas com sedimentos de origem detrítica (areias) ou química (calcário).

Estas rochas formam-se em zonas marinhas ou lacustres que tenham forte ondulação ou correntes que fragmentam as conchas dos organismos que ali vivem. É frequente encontrar rochas como estas nas zonas de praia, como o Algarve por exemplo.

 

Carvão – o carvão forma-se de forma natural através de um processo de fossilização sofrido pelas plantas quando são enterradas em meios privados de oxigénio. Nestas condições, a planta não se decompõe e aos poucos a matéria orgânica vai-se transformando em carvão. Este processo ocorre em várias etapas, em que se vai verificando um aumento progressivo de pressão e temperatura, formando-se sucessivamente vários tipos de carvão.

O carvão mineral é extraído para muitas actividades humanas, especialmente para a indústria. Não confundas este tipo de carvão com o que usas todos os dias para fazer grelhados lá em casa. Esse tipo de carvão é produzido artficialmente através da queima de madeira em fornos especiais.
Mas voltemos ao carvão mineral. Existem muitas minas de extracção deste tipo de recurso. A maior mina de carvão que se conhece fica nos Estados Unidos da América – a mina de North Antelope Rochele, no Wyoming. Em 2004, foram extraídas desta mina mais de 400 milhões de toneladas de carvão. Podes encontrar mais informação aqui (NASA Earth Observatory) e neste vídeo (produzido pelo Canal História).

 

3) Rochas Sedimentares Quimiogénicas

Os sedimentos de origem química provêm de materiais que são transportados em solução pela água dos mares e oceanos depois de terem sido extraídos por reacções químicas às rochas de onde provêm. Estes sedimentos não se mantêm dissolvidos indefinidamente. Quando as condições são favoráveis, eles voltam ao estado sólido, separam-se da água e precipitam, originando uma rocha sedimentar.

Há duas formas de consegui-lo:

    • – evaporando a água onde estão dissolvidos (é o caso dos evaporitos) ou
    • – criar as condições para que os sedimentos se separem da água naturalmente, por precipitação (é o caso do calcário).
Vejamos dois tipos de rochas sedimentares quimiogénicas (para além do calcário normal) muito particulares: os evaporitos e as estalactites e estalagmites.

3.1) Evaporitos.

A evaporação da água provoca a precipitação dos minerais que nela estão dissolvidos. No passado da história do nosso planeta, muitas áreas que hoje são terra firme já foram um dia enseadas de mar com uma ligação muito estreita com o oceano. Nestas condições, dentro da enseada, como as águas estão paradas, é fácil ocorrer evaporação da água e consequente precipitação do sal que ela tinha dissolvido. À medida que isto vai acontecendo, a água do mar entra para a enseada para compensar a água que já evaporou, levando consigo mais sal. Quando a ligação com o mar foi quebrada, isto é, quando a enseada deixou de comunicar com o mar, a água terá evaporado toda deixando para trás depósitos de sal-gema ou de gesso. Estes depósitos chamam-se evaporitos.

Em alguns locais a quantidade de sal formanda é de tal ordem que pode ser extraído através de minas com galerias subterrâneas como acontece em Loulé, ou nas famosas minas de sal da Polónia.

As minas de sal de Loulé.
Há 250 milhões de anos, o local onde está hoje a mina de sal-gema de Loulé era mar. Ou melhor, era uma bacia de sedimentação que tinha um contacto muito estreito com o mar. A água salgada do mar passava por uma estreita abertura originada durante o período de fragmentação da Pangeia. Sabe-se hoje, pela análise das rochas, que o clima naquela altura era muito árido, e que a água da bacia era evaporada com facilidade, originando-se então grande depósitos de sal-gema, com mais de 1km de profundidade e uma extensão que ocupará certamente mais de 100 hectares, a área atualmente explorada como mina de sal.

O Vale da Morte
Nos Estados Unidos, na Califórnia, existe uma região – o Death Valley (Vale da Morte) onde se pode verificar a formação destes depósitos. Depois da época das chuvas, ou em alturas de degelo no início da Primavera, a água que vem das montanhas fica armazenada numa pequena bacia no vale entre as montanhas. À medida que a água vai evaporando, formam-se crostas brancas de sal a partir do material que estava dissolvido na água e precipitou.

 

3.2.Estalactites e estalagmites – calcários de precipitação.

Nas zonas calcárias é frequente a formação de grutas subterrâneas devido à acção da água das chuvas que vai dissolvendo a rocha calcária. Do mesmo modo, a água das chuvas vai-se infiltrando no maciço e dissolve a rocha à medida que vai passando. Ao chegar ao tecto das grutas, formam-se gotas de água. Eventualmente, a água acaba por evaporar, deixando para trás a calcite que entretanto foi dissolvendo à medida que se infiltrava. À medida que água se vai infiltrando e evaporando, vão-se formando progressivamente depósitos de calcite e a estalactite cresce (mais ou menos à velocidade de 13 mm por século).

Quando as gotas de água caem antes de evaporar, os depósitos de calcite formam-se a partir do chão, constituindo estalagmites. Eventualmente as estalactites e estalagmites unem-se para formar colunas. Podes observar estruturas destas na zona de Fátima – Ourém, onde existem várias grutas calcárias.

 

Em conclusão…

…as rochas sedimentares são divididas em três grupos principais, consoante a origem dos sedimentos que as constituem.

Contudo, esta classificação é muito mais rígida do que o que acontece realmente na natureza. Por exemplo, as rochas detríticas na realidade apresentam sedimentos com diferentes tamanhos (é o caso do conglomerado, que para além dos sedimentos de grandes dimensões também apresentam sedimentos mais finos a unir os restantes). Além disso, as rochas classificadas como químicas muitas vezes apresentam também sedimentos detríticos muito finos, ainda que em pequenas quantidades.

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