Propriedades dos Minerais (1)

Os diferentes minerais podem ser identificados com base na análise do conjunto das suas características. Os Geólogos fazem testes específicos para as determinar. Algumas características são facilmente determináveis no campo. Outras requerem testes laboratoriais mais complexos. Neste artigo abordaremos apenas algumas características que poderás facilmente determinar e utilizar para identificar a maioria das amostras que tens à tua disposição com um elevado grau de fiabilidade.

Eis então algumas das principais características usadas para identificar minerais:

1. Cor
2. Brilho
3. Risca ou traço
4. Dureza
5. Clivagem or fractura
6. Transparência ou diafaneidade
7. Odor
9. Sabor
10. Magnetismo
11. Reacção com os ácidos

1. Cor

Alguns minerais têm uma cor muito característica, que facilmente permite a sua identificação. Outros variam e podem apresentar várias cores. Quando os minerais são opacos, as cores têm tendência a ser mais consistentes do que nos minerais translúcidos. Existem minerais que podem apresentar uma grande variedade de cores, como o quartzo. Além disso, há vários minerais que apresentam cores semelhantes. Por isso, a cor por si só não é fiável para identificares um mineral. Devem ser sempre efectuados mais testes.

A malaquite e o enxofre são minerais que se identificam facilmente pela cor, pois estes minerais têm uma cor característica que praticamente não varia de amostra para amostra.

Malaquite (esquerda) e enxofre (direita). Dois minerais com cores características.
Fotos: R. Weller/Cochise College

Já o Quartzo, por exemplo, é um mineral que pode apresentar várias cores:

Variedades de quartzo. Da esquerda para a direita: quartzo hialino (transparente), quartzo leitoso (branco), quartzo citrino (laranja), quartzo ametista (roxo), quartzo fumado (preto), quartzo róseo (rosa)

2. Brilho

O brilho é uma característica que depende da quantidade de luz que a superfície do mineral pode reflectir. Normalmente a designação do brilho de um mineral é atribuída por comparação com substâncias conhecidas. No entanto, existem duas categorias principais: brilho metálico e brilho não metálico.

Minerais com brilho metálico:

Pirite (esquerda) e Galena (direita). Dois minerais com brilho metálico.
Fotos: R. Weller/Cochise College

Minerais com brilho não metálico:

 

 

3. Risca

A risca é a cor do mineral quando é reduzido a pó.

Muitas vezes a risca não coincide com a cor do mineral, mas é constante para todas as amostras, independentemente da cor que a amostra possa ter (o quartzo, por exemplo, que pode ter muitas cores diferentes, tem sempre risca branca) pelo que é uma propriedade muito mais fiável do que a cor.

A hematite é um exemplo de um mineral com risca de cor diferente da cor apresentada pela amostra. Isto acontece porque a presença de alguns minerais na estrutura cristalina, mesmo em quantidades muito pequeninas, altera a forma como a luz é reflectida e a cor que nós vimos. Contudo, quando os minerais são reduzidos a pó, esses minerais deixam de exercer influência, revelando-se assim a verdadeira cor do mineral.

A risca determina-se riscando a amostra que queremos analisar numa placa de porcelana branca não vidrada, como mostra a figura. Para os minerais mais duros é necessário esmagar um bocadinho da amostra num almofariz.

4. Dureza

A dureza representa a resistência que um mineral apresenta a ser riscado por outro. O mineral menos duro é sempre riscado pelo mais duro. Quando dois minerais apresentam a mesma dureza, riscam e são riscados um pelo outro.

A dureza é determinada por comparação da amostra com minerais de dureza conhecida, do menos duro para o mais duro. Esse conjunto de minerais foi definido por Friedrich Mohs, e constituem a escala de dureza de Mohs.

Minerais da Escala de Mohs
O diamante normalmente não se encontra nas escalas de mão, por ser um mineral muito precioso.

Há também outros testes simples que permitem ter uma boa ideia da dureza do mineral. Por exemplo, os minerais com dureza até 2 são riscados pela unha, uma moeda de cobre risca os minerais com dureza 3 ou inferior e o canivete risca os minerais com dureza até 5. Os minerais mais duros, com dureza 6 ou superior riscam o vidro.

 

A melhor forma para determinar a dureza de um mineral é efectuar primeiro os testes preliminares para verificares em que zona da escala de dureza o mineral se encontra e depois utilizar os termos da escala de Mohs para confirmar a dureza da amostra.

Deve-se sempre começar pelos testes de menor dureza, para evitar danificar a amostra, e nunca se deve fazer um ensaio numa zona onde a amostra esteja alterada.

No final do ensaio deves sempre limpar a amostra, para te certificares de que a amostra ficou efectivamente riscada ou se o pó que se observa é do termo da escala que ficou reduzido a pó.

5. Clivagem ou Fractura

A clivagem ou fractura são propriedades que dependem da maneira como o mineral se parte quando é sujeito a uma pancada.

Diz-se que um mineral apresenta clivagem quando se quebra segundo superfícies geométricas regulares, como a calcite ou as micas.

A calcite apresenta clivagem porque se parte na forma de pequenos blocos geométricos.

As micas apresentam clivagem laminar.

 

Diz-se que um mineral apresenta fractura quando se quebra de forma irregular, como o quartzo ou a obsidiana.

O quartzo (esquerda) e a obsidiana (direita) são minerais que apresentam fractura porque se partem de forma irregular. No caso da obsidiana a fractura diz-se concoidal

Existem ainda outros critérios que permitem distinguir diferentes tipos de clivagem e fractura, contudo apenas nos centraremos no facto de um mineral apresentar clivagem ou fractura. Como já percebeste, não é possível o mesmo mineral apresentar clivagem e fractura ao mesmo tempo.

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