Modelado Cársico – paisagem sedimentar

As regiões sedimentares têm características muito próprias, e as formações geológicas que nelas predominam podem ser bastante … peculiares. Todas essas paisagens são modeladas pelos agentes erosivos, como a água das chuvas, dos rios, dos mares ou o vento.

Este capítulo encontra-se dividido em duas partes. Nesta primeira parte abordaremos apenas as formações relacionadas com uma tipologia de paisagem chamada modelado cársico. A segunda parte refere-se a vários outros aspectos das paisagens sedimentares

 

Modelado Cársico

O tipo de paisagem a que em geologia se chama “modelado cársico” refere-se a uma região onde a rocha predominante (pelo menos no caso do nosso país) é o calcário. Nestas regiões, a água da chuva reage com o calcário, dissolve-o e acaba por esculpir formações que podem ser de grande beleza, como as grutas, por exemplo. Vejamos como.

O calcário, como já estudaste aquando da formação das rochas sedimentares, é uma rocha constituída por calcite, um mineral que é muito susceptível a reagir quimicamente com os ácidos. Em dias de chuva, a água pode combinar-se com o dióxido de carbono da atmosfera e forma-se ácido carbónico, que acaba por tornar a água da chuva ligeiramente ácida.

A àgua à medida que vai caindo vai dissolvendo a rocha e abre fendas. Quanto mais as fendas se desenvolvem, mais fundo a água vai chegando e mais dissolve. Com o tempo, podem formar-se grutas subterrâneas e grandes poços por onde podem desaparecer rios inteiros (como é o caso do Alviela por exemplo)! Mas já lá vamos.

Estas regiões têm aspecto de ser semi-áridas, sem grande vegetação ou água visível à superfície. Contudo, estas zonas até são muito ricas em água, só que esta circula em profundidade, normalmente através das estruturas que a água foi esculpindo através da rocha. Em Portugal, a zona onde o modelado cársico é mais expressivo é na região da Serra de Aire e Candeeiros, perto de Leiria-Fátima.

A imagem seguinte representa esquematicamente algumas estruturas típicas dos modelados cársicos:

 

A – Dolinas

Vistas de cima, as dolinas parecem grandes taças esculpidas na rocha, e podem estar preenchidas com água. Formam-se quando a água da chuva acumulada em pequenas depressões da rocha dissolve essa mesma rocha, alargando essa depressão.

Dolina na Serra de Sicó.
Fotografia de Robert Grant, no Flickr.

 

Eis como se formam estas estruturas:

À medida que a água se infiltra vai abrindo cada vez mais as fendas existentes. Até que chega a uma altura em que as fendas não aguentam a estrutura e acabam por desmoronar. Outras vezes as dolinas formam-se quando há colapso de cavernas subterrâneas, e nesse caso são de maior dimensão.

Por vezes as dolinas podem unir-se a outras que estejam próximas e passam a chamar-se uvalas. Chamam-se assim porque ficam com o aspecto de cachos de uvas.

Uvalas em Pieciu Stawow, Polónia.
Fotografia de Mateusz Kulawik (no Flickr)

 

Por vezes as dolinas têm ligação com grutas subterrâneas que estão cheias de água. Neste caso toda a estrutura se chama cenote. No México, existem cenotes muito famosos na região do Yucatán,e são sítios espectaculares para praticar mergulho.

Cenote Dos Ojos, no México.
Fotografia de Henry Watkins

B – Lapiás.

Estas formações resultam da acção da água das chuvas, que vai escavando a rocha à medida que é escoada sobre a rocha calcária. Em Portugal existem formações muito boas em Peniche, no Cabo Carvoeiro.

Perto de Condeixa (Coimbra) existe uma aldeia chamada Casmilo, onde podes observar esta formação, bem como outra muito curiosa – as buracas, de que falaremos mais adiante.

Campo de Lapiás no Casmilo.
Foto: Geocaching

 

 C – Grutas.

As grutas formam-se pela dissolução do calcário pela água da chuva (tal como descrevemos no início deste artigo). Lá dentro podem encontrar-se várias formações típicas: estalactites (D), estalagmites (E) e colunas (F). Podes encontrar informação sobre como se formam aqui.

As famosas Buracas do Casmilo são na realidade o que resta de uma gruta que existia na região. Depois de a parte central ter abatido, restaram apenas as partes laterais de algumas salas dessa gruta, que hoje constituem as buracas, que podes ver na fotografia seguinte.

 

Buracas do Casmilo, perto de Condeixa, na Serra de Sicó

G – Algar.

Os algares são poços que põem em contacto o exterior do maciço rochoso com as grutas que se encontram no interior.

Algar dos Carvalhos – Minde
Fotografia de Sérgio Barbosa em www.lpn-espeleo.org

Algar da Lagoa, na Serra de Sicó

H – Exsurgência.

É o nome que se dá ao local onde a água do rio que passa pela gruta volta a sair para o exterior.

Exsurgência do rio Benson, no Canadá

 

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2 Comments

  1. Anabela Ramos - 17 de Março de 2014

    Parabéns pela organização da informação!! Muito útil para os jovens na sua aprendizagem sobre a paisagem cársica. Com a vossa permissão, vou usar o link da vossa página para partilhar com os meus alunos como complemento. Bom trabalho.

  2. Suzana Leão - 16 de Novembro de 2016

    Fotos muito interessantes do relevo Cársico. Também partilhei com os meus alunos do 7º ano.

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